domingo, 30 de dezembro de 2001

A Tempestade

Em Dezembro de 2001, fomos passar o fim de ano na Ilhabela.

Tudo foi planejado para que pudéssemos desfrutar de uma semana de férias. Ficamos em uma pousada e o barco em uma poita alugada no Pindá.

Nem imaginávamos o que estaria por vir. Só uma mãe tem a capacidade de sentir, antes de todos, quando algo não está bem com seu filho. Tivemos que voltar para casa no meio das férias.

Foi o início de uma grande travessia em mar revolto. Ventos implacáveis surraram nossas vidas.

Nossa filha adoeceu. Foram 6 meses até que fosse descoberto a causa da doença. A Isabela necessitou de um transplante de medula. O milagre aconteceu em várias prestações. Descobrimos o hospital certo (GRAACC - Grupo de Apoio ao Adolescente Com Câncer), os médicos certos, encontramos células tronco nos USA no New York Blood Center. Sem dizer a força e a fé dos amigos. Nossa luta durou quase quatro anos. Mas com a Graça de Deus vencemos.

Aprendi muito com a dor. Cresci, amadureci e me fortaleci para as dificuldades da vida.

Hoje volto a sonhar com o mar. Sonhar em desfrutar todos os momentos livres de nossas vidas. Aproveitar cada momento de vida, junto da minha filha Isabela e da minha esposa Ângela.

quinta-feira, 2 de agosto de 2001

Em águas da Bahia

Em Junho de 2001, meu amigo Luís Carlos (Bonitão), me convidou a participar de uma viagem com seu primo. O Augusto dono do Brisa Sul, um Brasília 32, pretendia participar da REFENO. Ele partiu com o Brisa de Ubatuba, tripulado pela sua esposa e pelo Bonitão. Eu não tinha certeza se poderia viajar com eles, pois eu tinha meus compromissos de trabalho, além do compromisso com minha família. A Isabela tinha alguns meses e minha esposa ficaria sozinha.
Finalmente, após receber um valioso alvará, fui para Porto Seguro de avião, substituir o Luis Carlos, que havia tripulado o Brisa desde Ubatuba. A esposa do Augusto, os acompanhou até o Rio. Ela voltou trabalhar e o Augusto e o Luis seguiram viagem.


Saímos de Porto Seguro pela manhã. Motoramos até livrar os recifes que existem na região de Porto Seguro. Algumas horas depois estávamos velejando.
No dia seguinte deixamos pelo través a cidade de Ilhéus. A ideia era entrar em Camamú no dia seguinte. Na região de Ilhéus a água se tornou azul turquesa. A profundidade chegou a 2000 mts. Não cruzamos com nenhuma embarcação nesses dois dias. Durante a noite que antecedeu nossa chegada na Baía de Camamú, o vento rodou para leste com boa intensidade. Isto fez com que o Brisa Sul antecipasse nossa chegada na entrada de Camamú. Decidimos ficar velejando em mar aberto até que o dia amanhecesse. Tínhamos os waypoints para entrada, mas não quisemos arriscar.
Eu e o Augusto vínhamos fazendo turnos a noite de 2 horas cada. Naquela noite eu fiquei um pouco mareado e tomei um Dramim. Durante meu turno, lá pelas 04:oohs da manhã, peguei no sono. Quando acordei estávamos passando a uns 5 mts de uma traineirinha de pesca, que estava com as luzes do convés acesas, sem ninguém de prontidão. Não deu tempo de fazer nada, apenas gritar assustado: - Augusto, Augusto... quase batemos naquele barco! Eu não sabia onde enfiar minha cara. Fiquei pensando... Se eu tivesse batido naquele barco... o Augusto não me perdoaria nunca.
Com o dia clareando, checamos a plotagem, waypoints no GPS e entramos motorando.
Ancoramos no Campinho, local onde havia um veleiro alemão chamado "Comodo". Âncora ajeitada e segura, podemos descansar um pouco. Saímos a pé para explorar o local. Havia um pequeno vilarejo, onde compramos algumas coisas para comer.


Conhecemos o casal de alemães do Comodo. Eles estavam discutindo com um "empresário" local, que havia cobrado uma fortuna pela ligação que eles haviam feito. Tentei intermediar a discussão, traduzindo o que os gringos falavam. Quando vi que era rolo, dei uma de desentendido e cai fora. Ganhamos uns 10 a 15 cocos de um camarada da vila. O cara pegou os cocos da plantação do tal "empresário". Levamos os cocos de carrinho de mão. Antes de sair, demos uns cocos para os gringos. O casal nos convidou para conhecer o barco. Me arrependi de não ter aceitado. Depois fiquei curioso.
No dia seguinte fomos no barco que leva as crianças para a escola em Maraú, para conhecer aquela cidade. Eu já havia estado lá em 94, quando fiz um viagem de carro com minha esposa. Foi só por uma noite. Tivemos que sair correndo, por causa das chuvas... Passamos o dia em Maraú e retornamos a tarde no mesmo barco. O capitão do barco tinha um restaurante em sua casa, lá no Campinho. A noite pegamos o botinho e fomos até o restaurante comer umas lagostas. O restaurante era na varanda da casa do cidadão. Que delicia! Foram seis bandas de lagosta (três lagostas). Tomamos umas cervejas, conversamos muito com um senhor do local, que falou da sua vida ligada ao mar. Bem tarde, retornamos para o Brisa.
No dia seguinte fomos conhecer Camamú. Pegamos outro barco, que nos levou para lá. Exploramos a cidade. Conhecemos um estaleiro de escunas. Conhecemos o mercado central, onde havia um montão de farinha para vender. Que perdição! Tinha farinha fininha, branquinha, amarelinha, grossa... Me amarro numa farinha!! Retornamos para o Brisa.
No dia seguinte saímos para Salvador. Chegamos de manhã. O Brisa ficou ancorado no Centro Nautico da Bahia. Passei apenas mais um dia com o Augusto. A noite fomos encontrar minha irmã e meu cunhado, no bar Aeroporto. Fomos comer um escondidinho e tomar umas brejas.
No dia seguinte eu voltei para São Paulo de avião. Acabou a vida boa. Pela primeira vez na minha vida, eu havia sentido saudades de casa. Foi por causa da Isabela. Aquele ser tão pequeno, já estava me transformando.

quinta-feira, 17 de maio de 2001

Isabelinha

Em Maio de 2001, Deus nos deu de presente uma linda filha. A Isabela.

Deste momento em diante nossa vida mudou. Mudou para melhor! A satisfação de ser pai tomou conta de mim. O sonho da Angela se realizou.

Todas as prioridades passaram a ser secundárias. A maior delas sempre foi e será a Isabela.

Aguardei ansioso pelo dia em que pudéssemos levar a Belinha para o Tukurá, com segurança, pois era inverno e não queríamos expor um bebezinho as condições do mar.

Este dia chegou em Outubro de 2001. Levamos ela para Ubatuba, onde o Tukurá fica fundeado.

terça-feira, 30 de janeiro de 2001

Ubatuba - Rio de Janeiro

Em Janeiro de 2001, consegui um alvará da chefia, para dar uma velejada mais longa. Saímos às 02:00 hs da manhã de Ubatuba. Fomos em três. Júnior, Fernandinho e Eu.
Foi a maior motorada da minha vida. Foram 22 horas de motor. O velho Mold funcionou sem parar.
Pela manhã passamos pela Joatinga. O fernandinho dormia profundamente desde a partida. Pela tarde passamos pela Marambaia. O fernandinho continuava dormindo. Ao entardecer pudemos avistar de longe a cidade do Rio. E o fernandinho dormindo! Quando passamos pelas Cagarras, já bem tarde, um barco de pesca se aproximou com o pessoal gritando... - Olha a rede! Vocês são loucos navegarem a noite sem luzes! (só depois disso é que pude ver que as luzes de navegação estavam queimadas). Desviamos da rede e continuamos até Niteroi. Chegamos no Charitas a meia noite. Acordamos o Fernandinho para ele ver que haviamos chegado. depois ele voltou a dormir.
O barco ficou no Charitas até o outro final de semana. Voltamos para SP de onibus. O Fernandinho dormiu a viagem inteira!








Na semana seguinte, Eu e o Júnior retornamos para Niteroi com o objetivo de navegarmos até Búzios.

Encontramos o Veleiro Jornal, ancorado ao lado do Tukurá. Todo enfeitado com as bandeirinhas dos países que eles passaram. Conheci o Vilmar e a Gina, que acabavam de chegar de Vitória. Eles estavam retornando para Itajai, após 5 anos de viagem. Este casal é muito simpático e atencioso. O Vilmar não se cansou de dar explicações e respostas as minhas perguntas. Gente muito fina!

Saímos do Charitas a tarde para abastecer o Tukurá e em seguida partimos para Arraial do Cabo. Já no posto de combustível o pessoal nos avisou da forte lestada que soprava lá fora. Eu e o Júnior não demos importânica para isto. Não fiz planejamento nenhum da viagem. Pensei comigo: - Faço no caminho, rapidinho!!. Quando saímos da Baía da Guanabara, o pau começou a comer. Estávamos de sunga, pois o calor era forte. Antes que chegássemos perto das ilhas do Pai e da Mãe, já tomei uma lavada da água gelada. Depois disto é que fomos pensar em colocar a roupa impermeável. Tudo errado!! Não nos preparamos para aquilo. A noite chegou, estávamos com fome, com frio, assustados com o mar (ondas altas), vento com rajada de 25 nós na cara, convés sendo lavado a cada onda. Seguimos na vela, pois nós queríamos experimentar condições mais duras. Eu nunca havia velejado assim antes. Velejamos muito para fora. Começamos a navegar na rota de navios. De madrugada demos um bordo para terra, para tentar avançar mais na direção desejada. O Júnior começou a marear. Falei para ele tomar um Dramin gotas que estava debaixo do VHF. Ele tomou o Otossinalar, que é para o ouvido! (Só descobrimos este furo no dia seguinte, quando eu vi a caixa do Dramin lacrada). Ele tentou dormir na cabine, mas não deu. Descansou fora mesmo. Quando em me cansei, pedi que ele tomasse o leme. Dormi no convés. Ás 04:00 hs da manhã e Júnior me acordou. - O que eu faço? Tem um barco vindo em nossa direção. Era um barco de pesca grande com as duas luzes, vermelha e verde, bem acesas em nossa direção. Demos um bordo meio desajeitado, ficando no rumo de volta. Aí decidimos, Vamos voltar, deixa Búzios para outro dias. Estávamos prá frente da Ilhas de Maricás. Retornamos para o Rio. Ancoramos na Marina da Glória. Aprendi uma lição básica. Navegar requer planejamento!! Restou a frustração de não ter conseguido.

Saímos no dia seguinte a tarde da Marina da Glória para Ilha Grande. Foi uma velejada muito legal. O leste ainda estava forte, nos levando com boa velocidade para o Abraão. Usamos o motor apenas para ancoragem. O único incidente deste percurso, foi uma cassetada no rosto, quando o Júnior deu um jibe involuntário. Meu óculos saiu voando. Não caiu na água por pouco.



Na Ilha Grande, ficamos no Abraão e Sitio forte. Foi novidade para o Júnior. Ele gostou muito.
Seguimos para Paraty, onde a Angela viria nos encontrar, para passar uns dias de férias. Ela estava grávida da Isabela de uns 4 meses. Ficamos ancorados no refúgio das Caravelas. O Júnior retornou para casa de carro. Curtimos uns cinco dias a estadia em Paraty. A Angela retornou de carro até Ubatuba e Eu segui sozinho no Tukurá.
Sai do Saco do Mamanguá às 04:00 hs da manhã. Estava noite ainda. Um pouco antes da porta da Joatinga, vi dois golfinhos vindo em direção do barco, como torpedos. O efeito da ardentia (fluorescência esverdeada), deu uma imagem linda. Que nunca irei esquecer. Agradeci a Deus pelo momento e pelo previlégio de estar realizando minhas vontades.
Cheguei em Ubatuba às 14:00 hs.

segunda-feira, 16 de dezembro de 1996

Morganne

Dezembro 1996.

Enfim! Meu primeiro barco.

Após 2 anos trabalhando como um maluco, consegui realizar meu sonho. Compramos o Morganne. Um Brasília 27S.

Foi uma época maravilhosa. Eu e minha esposa Ângela. Quase sempre com a companhia do meu cunhado Fernandinho. Aproveitamos muito a Ilhabela, Ubatuba, Parati e Ilha Grande.
Primeira velejada com o Morganne. Ilhabela Dez 96.
Regata Alcatrazes por boreste. Jul/97.
Jantar de Natal. O vinho Lambrusco alegrou os tripulantes. Dez 97.

Kokimbus, a melhor aquisição depois do GPS
Ilha Grande Janeiro 98.
Difícil função de viver o ócio.
Primeira tempestade

Em Dezembro de 1999. Trocamos o Morganne pelo Tukurá.