domingo, 11 de novembro de 2007

XÔ URUCA!!!

11 de Novembro de 2007:

Exorcizamos a fama de pé-frio da Selma.

Enfim um final de semana na praia, com a Selma e sem chuva.

Desde de que minha irmã voltou de Salvador, depois de morar lá por uns 12 anos, ela sempre que pensa ir à praia, chama uma frente fria. Desta vez não !!!

Levei o Tukurá para Paraty, para passar uma temporada lá. O objetivo inicial é deixa o barco na Pousada Refugio das Caravelas no próximo verão.

Decidimos sair de Ubatuba no final da tarde do dia 09, sexta-feira, com destino a Ilhas das Couves, onde passamos uma noite super tranquila. O mar estava um tapete. Nada de vento! Dá-lhe motor!

Amanhecemos com um lindo dia claro e de sol. A paisagem não poderia ser outra. Linda!


Aquele cantinho das Couves, ao lado da ilhota, é um lugar para passar uma semana inteira. Sem reclamar de nada.



No sábado pela manhã, saímos a motor para Paraty. Pela primeira vez naveguei bem próximo da costa. Desta vez deu para ver todos os detalhes da costa escarpada desta região. Tem paisagens muito lindas.


Água de cachoeira caindo no mar.


Tobogã de pedra.
Contornei uma ilhota que fica próximo a Ponta da Joatinga. Nunca imaginei que esta ilha era tão grande. Sempre passei muito longe dela, achava que não dava para navegar entre ela e o continente. Passamos bem próximo com o currico sendo arrastado. Pensamos que alguma anchova pegar nossa isca. Mas que nada! Minha fama de mal pescador ainda continua!
Decidi pernoitar no Saco da Velha, no Mamanguá. Lá tem o restarante do Vivinho. Eu já fiquei lá algumnas vezes. è bem abrigado e tem umas poitas que o restaurante espetam aos cruzeiristas e turistas.


Almoçamos uma moqueca de cavala. Tava uma delícia! (logicamente que não estava melhor que a do capitão, é claro!).

Logo depois do almoço, fui até a vila de Paraty-Mirim, para comprar pão e manteiga. Esqueci de levar uns comes-e-bebes. O que nos salvou , até então, foi um panetone Bauducco que eu tinha no barco.
Assim que eu retornei de uma vendinha lá nos confins de Party-Mirim, caiu aquele aguaceiro. Ficou tudo preto e desceu água.
Dormimos super tranquilos na poita do restaurante do Vivinho. Saímos na manhã do domingo para Paraty.
Depois de fazer uma rápida arrumação no Tukurá, saímos para a estrada, para esperar o ônibus para Ubatuba. Êta onibuzinho difícil!!



Foi muito legal eu ter passado este final de semana sozinho com a minha irmã. Colocamos as conversas em dia, falamos e reclamamos de todos, confidenciamos nossos problemas e pensamentos, mas principalmente... sentimos o quanto nós gostamos um do outro!

Minha irmã, eu te amo!

sábado, 2 de junho de 2007

Chegando em Casa: Paraty - Ubatuba

Dia 02/06:

Está chegando ao fim!

Minhas férias estão acabando. O mês de Maio passou muito rápido.

Quando comecei a conhecer a vela como forma de lazer, descobri também, que a vela é uma atividade envolvida por sonhos. Sonhos de diversos tipos. Os regateiros sonhando com vitórias, os atletas da vela sonhando com medalhas e os cruzeiristas sonhando com suas viagens.

Retornando sozinho do Rio para Ubatuba, tive a oportunidade de refletir a respeito dos valores da minha vida.


Tive que criar esta oportunidade para fazer esta viagem de barco. Parece simples, mas não foi. Nós pessoas comuns ficamos comprometidas o tempo todo com o trabalho e com a família. Quase sempre estamos preocupados em "ter" e não em "viver". Trabalhamos a maior parte do tempo para garantir nosso patrimônio e deixamos em segundo plano nosso lazer.
A satisfação de ter algo é passageira. Quando compramos, por exemplo, uma TV nova, ficamos realizadso por ter um equipamento mais moderno, cheio de funções diferentes, tela maior, melhor definição, etc... Depois de um mês, nada disso tem mais graça. Esquecemos de tudo. Se bobear, paramos na loja para ver um modelo de TV ainda mais moderno. Porém, quando investimos em nosso "viver" marcamos para sempre nossas vidas com as emoções que tivemos. Conhecemos lugares e pessoas diferentes, ampliamos nossos horizontes.
Acho que o segredo é conseguir conciliar as duas coisas. " Trabalhar para viver e não viver para o trabalho!"

Dia 01/06:

O retorno de Paraty para Ubatuba, foi tranquilo. Saí bem cedo, pois a travessia leva umas 10 horas.

Para variar não tinha vento. Fui motorando pelas ilhas de Paraty até chegar no Ponta da Joatinga.


Passei próximo a uma montanha que tem uma pedra em forma de baleia. Ví uma foto desta pedra, no diário de bordo do veleiro Fandango, Projeto Três no Mundo. A Carol, filha do Sérgio é quem reconheceu a cabeça de uma baleia cachalote na foto que ela tirou. Acho que o ângulo da milha foto não deu o mesmo efeito que a dela.

Logo depois que contornei a Ponta da Joatinga começou ventar. Ôba, vou velejar!!! Subi a vela mestra (que dá um trabalhão para fazer sozinho) e abri a genoa. Desliguei o motor. Sentei para curtir o visual... em 15 minutos o vento parou. Baixa vela grande, enrolra a genoa, arruma tudo, liga motor... Foi só trabalho!

A beleza das paisagens desta região ficou escondida pela distância que estava navegando da costa. Toda costa é de pedras escarpadas, Mata Atlântica muito preservada, praias e algumas ilhas.

Passei pela Ilha das Couves no meio da tarde.
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Já estava entardecendo quando estava chegando nas proximidades de Ubatuba. Como sempre, o pôr do sol foi lindo.


Às 18:00 h cheguei no Saco da Ribeira. Ponto zero da viagem.

Graças a Deus tudo correu bem.



Até a próxima!

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Ilha Grande - Paraty

Dia 30/05:
Saí da Praia do Abraão lá pelas 11:00 h da manhã.
O dia estava estável e o vento forte do dia anterior, ficou muito mais agradável.
Tentar descrever a Ilha Grande em poucas palavras e mostrá-la em algumas fotos é impossível. A ilha tem diversas praias, vilas, cachoeiras, trilhas, muitas histórias... A minha passagem foi ao redor da parte norte e oeste da ilha. Passei afastado dos principais "points" da Ilha Grande (Sítio Forte, Pr. Bananal, Ilhas dos Macacos, Saco do Céu, Pr. do Acaiá, etc...). Deixo apenas um registro, de bem longe, pois de perto não é possível fotografar de uma só vez a grandeza daquela ilha.
Na rota entre Ilha Grande e Paraty, tem-se a vista do continente, formada pelas diversas ilhas e ilhotas que compõe a linda paisagem de Angra dos Reis, com Serra do Mar ao fundo.
Infelizmente, existe uma vista desagradável no caminho para Paraty. É a Usina Nuclear de Angra dos Reis. Toda vez que passo naquela região, por terra ou por mar, fico pensando porque nossos governantes escolheram aquele paraíso para instalar uma usina nuclear.


A travessia leva cerca de 5 horas no motor. Saindo da Praia do Sítio Forte, ruma-se para o oeste, atravessando o canal de acesso de navios ao porto de Argra dos Reis. Dali para frente tem-se que tomar cuidado com a navegação, pois existem várias ilhotas e lajes ao longo desta rota.
Viva o GPS! Com ele as coisas ficam bem mais fáceis. É só planejar bem a rota, verificar com atenção os pontos e trajetos na carta náutica e seguir em frente.

A chegada em Paraty é sempre linda, independente da onde se vem. Seja de carro pela BR-101, entrando-se por mar de qualquer direção ou mesmo pelo ar. Paraty é simplesmente linda!
A cidade é cercada pela mata atlântica, ainda muito bem conservada. O mar é decorado por várias ilhas, 66 ilhas.
A atividade de pesca é intensa. Está começando a temporada de pesca do camarão. Deu para notar a grande quantidade de barcos de pesca na região.
A aproximação da cidade foi feita no entardecer. É um show a parte as diversas paisagens que se formam com o pôr do sol. Não tem como deixar de fotografar este momento.
O pôr do sol é meio mágico, atrai sempre as pessoas para curti-lo. É interessante como isto ocorre nos lugares turísticos onde o pôr do sol ocorre sobre o mar. Eu sinto uma sensação de esperança, de renovação. Acaba hoje, amanhã a vida continua. Assim como as nossas dores, nossas alegrias, nossa esperança de viver mais um dia.
No oeste o sol se escondeu atrás da serra do Mar.

No leste a lua apressada, já estava a vista.

E o colorido do céu, deixa o dia com ares de poesia.

Ancorei na Marina e Pousada Refúgio das Caravelas no inicio da noite. Lá existe uma estrutura muito legal. Vários barcos no pier e nas poitas. Várias pessoas vivem em seus barcos lá. O pessoal costuma ficar no pier contando suas histórias e mentiras de velejador. Falando de suas experiências e de seus sonhos. É um lugar legal, por não ser muito sofisticado. A maioria dos velejadores de lá, tem idade mais avançada (DNA - Data de Nascimento Antiga). Dizem que a Marina deveria se chamar Refúgio dos Carasvelhos. Estes caras podem estar mais velhos, mas tem um pique e uma motivação de mocinho!!
A noite fui jantar fora. Fui convidado pela Sílvia para comer uma moqueca no barco deles, o Brisa Sul. Estava uma delícia!!

Dias 31/05:
Tirei o dia para fazer uma arrumação no Tukurá. O Pororoca limpou o fundo, pois o casco estava com um pouco de cracas. Tivemos que soltar o eixo do hélice para retirar uma linha de pesca enroscada.
Fui almoçar com meus amigos em um restaurate na cidade. Restaurante do Ditinho. Ótima opção para uma comida caseira. Cervejinha geladíssima!!! Tem umas mesinhas na areia da praia ou se preferir dentro do restaurante.
Conhecemos um pessoal local muito divertido. O Comandante Cicí, a Mônica e outra senhora que não me lembro o nome. O Cicí é um figura. Chegou com uma rede, armou entre duas árvores que já tinha ganchos. Disseram que todos os dias depois do almoço ele tira uma sonequinha lá. Começou uma cantoria de seresta. A Sílva logo se enturmou. Ela curte e conhece muito essas músicas. O almoço foi divertido com as histórias do comandante.
A Sílvia e o Augusto foram embora a tarde. Eu fiquei até tarde mexendo no barco. Instalei o Inversor, instalei as tomadas e disjuntores para entrada de 110/220 Vac e fiz outro 5S e limpeza.
Fui dormir tarde, para quem pretendia levantar as 05:00 h da manhã.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Rio de Janeio - Ilha Grande... Sozinho!!

Dia 28/05:

Neste trecho da viagem não terei nenhuma companhia. Meus amigos estão todos trabalhando. Que perda de tempo!!! Que estressante!!! Não é nada sadio.

Peguei um ônibus de Mogi para o RJ no domingo à noite. Cheguei no Rio de Janeiro às 05:30 h da manhã.

Depois de uma rápida arrumação no Tukurá, saí do Clube Naval Charitas, para abastecer o barco com diesel e gelo no I.C. Brasileiro.

Zarpei de Niterói às 11:00hs. A previsão do tempo estava meio confusa. No dia anterior eu consultei alguns sites da internet que indicavam uma segunda-feira com tempo bom, porém com ventos não favoráveis. A Marinha anunciava ressaca no final do dia.

A navegação pela orla do Rio é sempre linda. Com o dia ensolarado as paisagens de que olha do mar para a terra são verdadeiros espetáculos. Valeu a pena tirar novas fotografias dos principais pontos da cidade.








Motor a 2500 rpm, vela grande içada e lá vamos nós. A tarde passou rapidinho. Quando começou a escurecer eu estava deixando para trás a Praia da Barra. Como é longa esta praia!

Um pouco antes de escurecer o molinete correu. Opa, um peixinho!!
Pela força e pela briga deu para desconfiar que era um dourado. O bicho foi chegando perto do barco e já deu para reconhecer. Era um dourado.
Com cuidado fui trazendo ele para o barco. Não queria perdê-lo como aconteceu no Arraial do Cabo.
Embarquei o bichinho. Devia pesar mais ou menos 1 Kg, Tirei umas fotos e coloquei-o de volta no mar. Estava sozinho, não valeria a pena sacrificar o coitado para uma só pessoa.

O pôr do sol foi lindo.

Já havia anoitecido, quando outro peixe foi fisgado. Desta vez foi um peixe espada. Devia ser filhote. Fisguei a cabeça dele. Ainda bem, pois foi mas fácil tirar o anzol. Devolvi para a natureza e segui viagem.


Não coloquei mais a isca na água, porque eu não queria mais perder tempo. Além do mais, estava satisfeito com a pescaria.

Eu estava um pouco preocupado com as condições do mar e do vento. A previsão que a Marinha dava pelo rádio era de ressaca na costa e ventos fortes no oceano. O Augusto me ajudou via celular, com informações da Internet. É bom poder contar com uma ajuda em terra. Principalmente se for de uma pessoa que conhece o que é navegar no mar.

Às 21:00 h passei pela Laje de Marambai. Às 22:30 h contornei a ponta da Ilha de Marambaia. Às 23:50h cheguei na Praia do Abraão.

Peguei uma poita emprestada e fui dormir. Sem banho é lógico!


Dia 29/05:

Acordei mais tarde, pois tive que recuperar o sono perdido no domingo para segunda-feira.
Logo o céu abriu. Foi possível tirar umas fotos da Praia do Abraão.




O Lugar é muito legal. É uma pequena vila, que foi transformada em um local de turismo. Tem muita pousadinha, campings, lojinhas e restaurantes.
Tudo é bem simples. Pouca sofisticação. Mas tudo bem transado. Isto é que dá o charme do lugar!


Fiz uma caminhada até a cachoeira.



Um pouco a frente tem um aquaduto, que foi construído na época do presídio. As estruturas foram feitas de pedra e faz como uma ponte, sobre o vale onde corre o riacho.

A mata atlântica está bem conservada na Ilha Grande, é legal caminhar pelas trilhas de lá.

Voltei para o barco no final do dia, pois começava a virar o tempo. Só foi chegar no barco, começou a ventar muito forte e chover um pouco.

A temperatura caiu bastante. Hoje vou dormir bem cedo.

Espero que o dono da poita não apareça no meio da noite. Senão vou ter que sair do meu bercinho quentinho, para ancorar em outro local.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Retornando para Casa

Dia 21/05:

O retorno de Búzios até o RJ, foi feito com a companhia do Júnior. O Júnior é o culpado! Ele é quem me contaminou com o vírus da vela. O Júnior é o meu primeiro amigo. É meu amigo desde que eu me conheço por gente.

Um dia nos encontramos depois de vários anos sem nos ver. Ele me levou para velejar na represa em seu Laser. Eu já tinha certa afinidade com a coisa. Deu no que deu!
Fizemos algumas peripécias juntos. Uma delas foi velejar de Laser de Bertioga até Boiçucanga. Dois no barquinho. No meio do caminho, resolvemos desviar para a Ilha do Montão de Trigo, umas 5 milhas (8 Km) mar a dentro. Levávamos apenas uma geladeirinha de isopor que cabia duas latinhas e uma garrafa de água. Foram 12 horas sentados naquele barquinho. Minha bunda ficou com o xadrez do anti-derrapante da fibra por uns três dias!
Saímos do I.C. Armação de Búzios por volta das 11:30 hs. Saímos no motor, com a vela mestra içada e rizada (reduzida), pois não sabíamos como o vento estaria lá fora. Assim que chegamos em mar aberto levantamos a genoa (vela da frente), para velejarmos diretamente até Cabo Frio.

Necessitamos fazer uma parada estratégica em Cabo Frio, para abastecer o barco com água e diesel. A chegada em Cabo frio foi tranquila. Apenas a entrada no canal foi um pouco estressante.
Foi minha primeira vez. O acesso ao canal é estreito e o movimento de barcos é grande.
Mas deu tudo certo e encostamos no I.C.Rio de Janeiro, sub-sede de Cabo Frio. Nosso vizinho de Búzios do veleiro Francês, que havia saído de Búzios horas antes de nós, já estava no clube tomando uma cerveja. Abastecemos e fomos embora para Arraial do Cabo.

Chegamos em Arraial lá pelas 17:00hs.


Tentamos inicialmente ancorar na Praia dos Anjos, mas a âncora garrou (soltou). Decidi então pernoitar na Praia do Forno. Lá pegamos uma poita do restaurante flutuante. Pudemos dormir tranquilos, mesmo com o forte vento que soprou toda noite.
Dia 22/05:
Saímos de Arraial às 06:30 hs. Nosso plano era sair às 05:00 hs, mas quem é que levantava da cama com aquele friozinho!!
Contornamos a Ilha do cabo Frio pelo lado de fora. Evitei passar por dentro do boqueirão, porque a profundidade é pouca. Não quis arriscar ficar encalhado em um banco de areia.
Velejamos todo tempo. Contornamos a ilha, deixamos o Arraial do Cabo numa velejada muito boa. O mar estava bem agitado, até que nos afastamos da costa. O vento nordeste foi empurrando o Tukurá até próximo a Ponta Negra.



A vara de pesca estava armada. Mas nada de peixe! Pouco antes do vento parar, fisguei um peixe. O danado fez uma boa força contra o molinete. Quando faltava alguns metros para embarcar... a linha quebrou. Não sei o tamanho, mas foi uma briga boa! Pouco depois, como prémio de consolação, peguei um pobre peixinho. Quase do tamanho da isca. Acho que ele foi atropelado pela isca artificial, pois o anzol estava preso na cabeça do coitado.

Às 15:30 hs o vento parou completamente. Vimos chegar uma enorme nuvem negra em forma de tornado.
Na verdade, as nuvens pareciam um algodão doce, todo retorcido. Logo atrás das nuvens veio uma pauleira. Entrou o famoso Suduca. Um vento sudoeste muito forte, que rapidamente levantou as ondas. Baixamos todas as velas e ligamos o motor. O barco não respondia ao leme, pois a velocidade era muito baixa. Dei um pouco mais de motor e fomos em frente, bem devagar, vencendo onda por onda. Vimos duas traineiras de pesca na mesma situação. Uma delas, desistiu e deu a volta, jogou ancoras pela popa e ficou esperando o mal tempo passar. Naquele momento pensei que iríamos ter uma noite de cão. Naquele velocidade, iríamos chegar no RJ só no outro dia. Fiquei com um pouco de medo, mas não por uma tragédia, mas sim pelo desgaste e estresse que iríamos ter que enfrentar. Estava tranquilo com a segurança, pois tínhamos o tanque cheio, havíamos almoçado pouco antes do vento chegar, estávamos perto de outros barcos e se o bicho pegasse ainda mais, nós poderíamos abrir um pouquinho da vela genoa e " correríamos com o vento". Mas como tudo nesta vida... passa! A pauleira durou 1:30 hs, depois foi diminuindo. Com isto as ondas que estavam muito grandes (2 a 3 metros), foram baixando. A velocidade do barco melhorou de 1 nó para 4 nós. Nossa previsão era chegar na Baia da Guanabara, lá pelas 23:00 hs. Ótimo, perto do que eu imaginava que iria acontecer.
Chegamos no Charitas em Niterói às 22:50 hs. Jogamos âncora defronte ao clube, jantamos um macarrão a bolonhesa e fomos dormir. Sem banho é lógico!
Dia 23 a 25/05:
Instalados no Clube Charitas, tiramos o dia para fazer uma limpeza no Tukurá. Lavamos o convés e o costado, limpamos o interior do barco e arrumamos a bagunça do dia anterior.

O Júnior decidiu ir embora, pois o trabalho o chamava!
O dia estava muito feio, chuvoso e frio.

Na noite de 23 para 24, choveu e ventou muito. As rajadas assobiavam. O toldo parecia que ia ser arrancado do barco. Eu acordava todo tempo por causa do barulho do toldo. Não encontrava coragem de sair lá fora para retirar o toldo. Até que uma das cordinhas se soltou. Ai não teve jeito, vamos para chuva!! Fiquei todo molhado e com frio. Me sequei e me aqueci com uma dose da cachaça do Sr. Antoninho, lá de Americana. Voltei para o meu bercinho. Contei mais uma rajada. depois o vento diminuiu. Que raiva!!! Essa lei de Murfi é do cassete!!
Na sexta de 25 o tempo melhorou. Niterói amanheceu com céu azul, mostrando alinda paisagem do RJ.

Mas mesmo assim, resolvi voltar para Mogi de ônibus e passar o fim de semana com minha família. A Belinha está com saudades do Capitão Papito!!